.coven reuniu as “reprovadas de hogwarts” (parte 1).

Chegou ao fim mais uma temporada de “American Horror Story”. Para quem não sabe, “Coven”, a terceira da série, teve sua história focada nas bruxas de Nova Orleans, e numa escola especial para jovens com superpoderes.

Bom, não sei se vocês se lembram, mas láááá no começo, logo quando a temporada foi anunciada, eu falei um pouquinho sobre o que esperava do novo trabalho de Ryan Murphy. Como tem muita coisa pra falar sobre a série, vou dividir o assunto em dois posts, ok? Nesse primeiro vamos ver se eu estava certo ou não sobre umas coisetas de “AHS Coven” e também repercutir alguns desfechos da série.

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Vem comigo gente!

**AQUI COMEÇAM ALGUNS SPOILERS**

1) ESCOLA DE BRUXAS ROBICHAUX

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” Acredito que Ryan Murphy vai tornar a escola de Fiona e as tramas que envolvem suas alunas bem mais sombrias e macabras do que as de Harry, mas de qualquer forma fica aquela sensação de “Ok, eu já vi isso antes”. “

Certo, Raphael. Apesar da escola ser, na verdade, um “pano de fundo” e ter pouco destaque dentro da história – além de ser o prédio onde elas dormem e comem – , nos primeiros episódios é praticamente impossível não associar a chegada emblemática de Zoey (de trem, diga-se de passagem) a um lugar onde ela não será rejeitada e viverá com outras iguais a ela, com a mesma cena de Harry ao desembarcar em Hogwarts ou os mutantes de X-Men chegando ao instituto Charles Xavier. Mesmo a “brincadeirinha” que Queenie, Nan e Madison fazem logo no começo da série, configura o bullying característico em cenas das outras duas produções que citei. Ainda assim, tenho que dar o braço a torcer: A escola de “Coven” é muito mais sombria, repleta de segredos que vão desde a estufa de Cordelia até o bizarro quarto de Spalding e seu fetiche por bonecas.

2) TRIO DE OURO + UM CORINGA

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“O trio de bruxas que aparece no trailer promete fazer valer o tempo em frente à TV. Jessica Lange vai dominar com certeza mas dessa vez acho que as atenções vão se dividir entre ela e as ótimas Kathy Bathes e Angela Basset “

Bahhhhh….Isso nem conta como um acerto porque foi uma aposta já ganha. Jessica Lange já vinha de outras duas excelentes participações nas temporadas anteriores. Fiona chegou para polarizar as atenções mais uma vez. Só que nessa temporada, ela precisou dividir os holofotes com as espetaculares Madame LaLaurie (Kathy Bathes) e Angela Basset (Marie Leveau).

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Sempre achei que a Kathy Bathes tinha uma cara meio malvada. Na série, apesar de toda a história se justificar, achei que o personagem dela, que lá no início da temporada dava muito medo e asco mesmo com seus “rituais de beleza”, foi perdendo importância ao longo dos episódios. A história foi se enfraquecendo. Ficou meio morna, pop demais. Ao mesmo tempo, Murphy soube flertar com o sentimento do espectador ao despertar o lado humano da racista LaLaurie em alguns episódios, enquanto nos seguintes, em flashback, chocava novamente com cenas como a que ela revela ter usado sangue do bebê de uma escrava para tentar “rejuvenescer”.

Ao mesmo tempo, LaLaurie conseguiu ser divertida. Seu choque com o mundo moderno e sua cultura , depois de tanto tempo enterrada, imortal, garantiu risos e um respiro de leveza à morbidade da série.

O desfecho da personagem não surpreendeu.Terminou onde começou: No inferno eterno de Papa Legba, no sótão de sua casa, onde torturava cruelmente seus escravos. Agora, do lado oposto. Como vítima. Condizente, coerente, mas poderia ter sido melhor.

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Outra que veio bem no começo da série e foi enfraquecendo, foi Marie Leveau. Se nos primeiros episódios a rainha Vodoo aparecia em toda a sua glória e poder modafacãs matando cabrinhas inocentes, fazendo uns paranauê das macumba, chamando os amigos de The Walking Dead e namorando um minotauro semi-morto, do meio para o final de “Coven” tudo isso sumiu. A partir do momento em que o clã Vodoo e as descendentes de Salém começam a ser atacadas por uma organização milenar que exterminava bruxas (oi, Van Helsing?), e decidem se unir colocando fim à guerra entre as duas facções , a graça se perde. Quer dizer, essa tal “guerra”, que era explorada nos trailers e previews da série, aparentando ter uma importância muito maior, nunca ficou muito bem explicada. Tivemos um episódio ou outro, explicações aqui e ali mas nada que enveredasse com mais força por esse caminho. Nenhum super embate emblemático.

Ainda assim, Angela Basset foi muito bem e garantiu ótimas cenas principalmente quando contracenava com Jessica Lange.

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Sua imortalidade, e o pacto com Papa Legba, também ficaram bem explicados. Deu para entender que sua busca pela juventude passava até mesmo por cima do sentimento de mãe, na cena em que deu o próprio filho para selar o acordo. Pica Pau opina sobre a série:

O desfecho, novamente, deixou a desejar. Acho que pelo fato da série ter se concentrado muito, do meio para o fim, na trama da “busca pela nova Suprema”, quando chegaram os últimos dois episódios, havia muito a ser explicado de outros personagens e pouco tempo para explicar. Aí ficou rápido demais. O fim de Leveau foi o mesmo de LaLaurie.

Não sei se concordo com o fato das duas terem morrido no final. Foi, novamente, coerente com a história contada, mas sei lá…As duas que eram imortais e poderosas e bla bla bla, acabaram morrendo. Meio fué, no fim das contas.

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Ainda temos Fiona. Se as duas personagens anteriores perderam força na trama, muito se deu pelo foco passar a ser a Suprema que, mesmo em decadência, mantinha a pose. Jessica Lange, mais uma vez, deu um show de interpretação na pele da bruxa bêbada, drogada e que, pelos próprios objetivos, era capaz de passar por cima de tudo e todos – inclusive da própria filha – para atingir o que queria. São inúmeras a cenas e falas memoráveis dessa montanha-russa de emoções chamada Fiona Goode.

A personagem de Lange era instável. Se em um episódio estava matando aquela que achava ser a próxima Suprema, no seguinte abraçava a filha Cordelia como se fosse uma mãe amorosa.

Mas nem tudo foi tão perfeito assim. Achei que o “par romântico” de Fiona ficou perdido. Muito tempo destinado a contar a história do “Homem do Machado” que não serviu para praticamente nada. De romancezinho já não bastavam os insossos Zoe e Kyle. E outra: Essa história de fantasma poder ser visto, namorar e viver uma vida normal mesmo depois de morto já encheu o saco né?

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No final das contas veio a redenção. Ahhhh, a redenção! Provavelmente o artifício textual mais antigo e clichê da literatura, do cinema, e das séries. É sério galera. Todo mundo usa isso. Fiona, vítima de um câncer e, até então dada como morta, reaparece para dar adeus à filha Cordelia, que se revelou a nova Suprema, afinal.

Em um diálogo no tom de “você nunca me amou” e toda aquela baboseira de arrependimento, Fiona pede para que a filha a mate. Cordelia a abraça e diz que dessa vez, a mãe vai ter que enfrentar a “mortalidade” sozinha. Báh! 😛 A cena termina com Fiona morrendo. E é isso. Vindo de Ryan Murphy eu esperava que Fiona ou tentasse, num último esforço desesperado, matar a filha e aí sim tivéssemos todo esse diálogo ou que Cordelia matasse Fiona. Mas não foi isso que aconteceu né galera?

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Bom, vamos agora ao inferno de Fiona. A bruxa morre e acaba trancafiada pela eternidade com o “Homem do Machado” em uma casa simples, no interior, e que ela simplesmente odeia. Um fim irônico para quem estava acostumada ao luxo e à vida de Suprema.

Agora, o nosso coringa! Logo quando vi as primeiras cenas de Frances Conroy como Myrtle Snow, automaticamente a associei com a professora Sybill Trelawney (Emma Thompson), de Harry Potter. Ou seja: Aquela esquisitona de óculos que fala coisas que só ela entende. Bem, não foi preciso andar muito com a série para ver que essa comparação tava bem errada.

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De fato, Myrtle Snow é uma esquisitona sim, mas, além de ser mais velha, a personagem de Coven não é uma hiponga e traz consigo uma elegância envolta em um tom sombrio.

Myrtle tinha tudo para ser uma personagem pequena, de pouca representatividade. Chefe do Conselho dos Bruxos, ela aparece para colocar Fiona contra a parede. Acontece que o jogo acaba se virando contra ela e Myrtle é sentenciada à morte por fogo.

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Esse marco é importantíssimo para a personagem. Ressuscitada por Misty Day, Myrtle volta com os poderes renovados e muda de personalidade. A racional nerd que sofria bullying e vivia à sombra de Fiona nos tempos de juventude, dá lugar a uma bruxa passional, com um pé na piscopatia. Um exemplo claro disso é o “jantar” que promove para os membros do Conselho com o único objetivo de arrancar seus olhos para dá-los a Cordelia, que tinha ficado cega.

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Segue-se a isso outra cena emblemática de Myrtle rindo enquanto se desfaz dos corpos dos dois conselheiros. Genial interpretação de Frances Conroy.

Myrtle era irônica, sarcástica mas com classe. Conferia um humor maligno à série e mesmo diante dos inúmeros problemas, mantinha-se calma, fria, distante pontuando frases e colocações nas horas certas.

O final foi digno (finalmente!). A correta Myrtle não poderia se permitir passar impune pelo crime de assassinato a outros bruxos. Terminou na fogueira, depois de ter cumprido sua missão e ajudado Cordelia a se descobrir como a nova Suprema.

Ufa!!! Pelo menos por enquanto acabou, mas ainda vou fazer um segundo post falando sobre outros personagens e coisinhas que não ficaram tão bem explicadas assim em “Coven”.

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E lá vamos nós!

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