.algo sobre paus, pedras, bombas e protestos.

Ok, vamos lá. Este post iria inicialmente para a minha página no Facebook e depois para a página do blog. Ia. Sim, porque tem tanta gente falando, postando, repostando, re-repostando coisas sobre a manifestação em São Paulo que meu texto, tadinho, nem teria tanta atenção assim. Então, meus caros, vamos àquilo que me leva as mãos ao teclado.

Ontem à noite eu tava acompanhando a cobertura do quarto dia de protestos pelo aumento da passagem de ônibus em São Paulo no J10, da Globo News. Enquanto via as imagens que todos já sabemos quais são e ouvia as opiniões de especialistas que todos já sabemos quais são, fiquei pensando no que tudo aquilo significava. E sabe a que conclusão cheguei? Nenhuma. Sim, pois a manifestação e todo o bafafá que veio dela não serviram para absolutamente nada.

A discussão sobre o aumento do preço do ônibus ficou para segundo plano. O motivo? Vândalos que se misturaram aos manifestantes e mancharam os ideais daquilo que um dia deveria ter sido uma manifestação pacífica. Que um dia deveria ter sido diálogo. E não tem outra palavra: São VÂNDALOS sim. Ou vocês acham certo que, em prol daquilo que se defende, se deprede justamente aquilo que se quer defender? Que se assuste, piche, quebre, queime? Acham mesmo que o trabalhador que ralou o dia inteiro e quer chegar em casa (provavelmente pegando 2 ou 3 ônibus) vai ficar feliz e saudar os manifestantes como herois por fecharem a rua e atrasarem seu descanso e o reencontro com os filhos? Será?

Isso sem contar que os tais manifestantes, inconformados paladinos da Justiça, se livraram de ficar na cadeia pagando não R$3,20 , porque isso seria abusivo, mas sim R$3.000,00 de fiança. Apenas um não pode sair. Explicação que não se explica.

Não bastasse tudo isso, aí vem os amiguinhos jornalistas dizendo que a imprensa é manipuladora e bla bla bla. Que na Turquia são manifestantes. No Brasil, são vândalos. Na boa? Vocês sabem que as realidades são diferentes.

Antes que me açoitem em praça pública digo que sou a favor de manifestações populares e do inconformismo. Acredito que são elas que mudam as coisas. O que me deixa puto, isso sim, é a burrice. A ignorância. O desrespeito e a violência. A manifestação se perdeu. Manifestantes transformaram-se em vândalos na velocidade do queimar do lixo. E a mensagem que queriam passar qual era mesmo? Não sabemos. A merda já está feita e bem jogada no ventilador. A causa perdeu seu sentido quando a violência e o vandalismo entraram em campo.

Resumindo:Não sabemos nos manifestar.

manifesta

Não sabemos reagir a manifestações, não é polícia? Se por um lado os manifestantes erraram, por outro a Polícia agiu de forma truculenta e vergonhosa, no mínimo. Agrediram jornalistas que apenas estavam fazendo seu trabalho. 7 só da Folha, sem contar tantos outros que não vieram a público.

Além deles, estudantes de faculdades que nada tinham a ver com o protesto, pessoas que voltavam do trabalho, gente perdida, gente confusa também foram alvos dos policias sem preparo algum. Policiais que atiravam a torto e a direito sem se importar com o lado que atingiam. Policiais que em mais de 5 se juntaram para arrastar um fotógrafo pelos cabelos para uma viatura. E o governador e o prefeito? Ah, conhecendo a esquina de “Meia Noite em Paris”. Alckmin, irredutível, chegou a dizer que deveriam zelar pelos 11 milhões de São Paulo e não ouvir a voz de 2.400 na Paulista. Nenhuma das vozes foi ouvida.

Para se fazer ouvir é necessário que o outro ouça. Que haja DIÁLOGO. Afinal, somos diferentes dos animais por isso, não é? Pela capacidade que temos de, aparentemente, pensar, raciocinar.

E não venham me encher o saco dizendo que manifestação pacífica não se faz ouvir. Só como exemplo, Curitiba (sempre Curitiba) foi a ÚNICA capital em que houve protesto sem violência. No que eles são diferentes dos outros? Em nada. Ou melhor, em consciência de que a mensagem não precisa de vandalismo para ser passada. Que o patrimônio público bem como todos os prejuízos causados a ele saem dos nossos bolsos. Isso sim é cidadania. Reclamar direitos sem que se esqueça dos deveres.

Que venham outras manifestações. Orgulhosas, corretas, com OBJETIVOS. Que os vândalos fiquem longe. Que o país avance nas ruas a cada erro público, cada deslize político. Mas que se faça ouvir uma única voz revolta. Não uma voz vândala disfarçada nas boas intenções da política popular.

No Facebook, entre os revoltosos, pseudo-socialistas e “não manipulados pela mídia” surgiu uma máxima: “O protesto não era pelos 20 centavos”. Então pergunto: Era sobre o que afinal?

Nesse eco que não volta, a resposta é minha: Sobre como nós, brasileiros – policiais e manifestantes, jornalistas e vítimas, população e políticos – engatinhamos e ainda estamos looooonge da consciência política. A manifestação é na verdade um retrato do despreparo. Tanto de quem quer mudar o país quanto dos que nos protegem. No fim, a selva de pedra revelou seus animais, sem um rei no comando. Não tem lado certo ou errado.

O que se aprende desse cenário todo é que precisamos aprender a nos impor, a proteger, a governar. O país precisa aprender a ser país. Do contrário, vai continuar assim: Valendo bem menos do que 20 centavos.

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