. o fim de briarcliff.

É difícil uma série me pegar. É difícil uma série me pegar, me colocar na frente da tv/computador para me fazer acompanhá-la até o fim. Geralmente desencanto no meio do caminho. Bom, com “AHS” foi diferente. Desde o ano passado, American Horror Story conseguiu me prender – o que na verdade é surpreendente, já que sou bem cagão medroso para essas coisas.

Acho engraçado como a criatividade funciona. Da cabeça de Ryan Murphy, que criou a viada “Glee” e a controversa “Nip/Tuck”, surgem personagens complexos, construídos sem aquele maniqueísmo chato. É um terror psicológico que tem como matéria prima os monstros internos, aquilo que de pior pode ser despertado mesmo pelo melhor dos sentimentos.

Pra você que não conhece, eu apresento: “American Horror Story” é uma série que conta, como o próprio título já diz, uma história a cada temporada. É o que o pessoal chama de “master piece”. A grande diferença é que a cada nova temporada, muda-se a história, os personagens mas não os atores. E essa é a graça de todo o negócio.

AMERICAN HORROR STORY: Airing on FX

Em sua estreia, “AHS” nos apresentou à cambaleante família Harmon e investiu no terror tradicional, ambientando o enredo em uma “casa mal assombrada” onde o real e sobrenatural se confundiam o tempo todo. A partir de um determinado momento, era difícil saber quem estava vivo e quem estava morto. Havia uma linearidade na história. Todos os assuntos estavam conectados e muito bem amarrados uns aos outros. O clima de tensão e terror era garantido pelas ótimas atuações de Jessica Lange, Frances Conroy e Evan Peters. Apesar do eixo principal que move a família Harmon a mudar de cidade e se instalar na “casa dos homicídios” ser a traição do Dr. Benjamin (Dylan McDermott) , acho esse personagem bobo e perdido em meio a tantas outras boas interpretações e histórias bem mais interessantes – como por exemplo a origem do terror na casa e os abortos realizados pelo dr. Charles Montgomery em seu próprio porão.

Bom, com o final da primeira temporada, os fãs (inclusive este que vos fala) ficaram ansiosos pelo que viria a seguir.

[A PARTIR DAQUI, O POST VAI TER SPOILERS ENTÃO SE AINDA NÃO TERMINOU DE ASSISTIR À SEGUNDA TEMPORADA, SUGIRO QUE PARE DE LER]

Um passeio por Briarcliff

A mente humana é material para o medo. Tradicionalmente, se você quer que alguma coisa seja assustadora, você a tranca em um hospício – seja ele abandonado ou não. Hollywood já se valeu desse recurso várias vezes em filmes como “A ilha do medo”, “O Hospício” entre outros. Até mesmo o cavaleiro das trevas já visitou essas casas no game “Batman:Arkham Asylum”. Bem, mas nada se compara aos terrores vividos em Briarcliff.

american_horror_story

1960. As paredes do hospício administrado pela igreja católica guardam segredos ocultos que vão desde maus tratos aos pacientes até mesmo experiências com os internos promovidas por um médico nazista, que os transforma em criaturas meio humanas, meio monstros.

jude

É nesse ambiente que encontramos a severa irmã Jude (Jessica Lange), de quem, apesar das maldades e etc…, nunca consegui sentir raiva. Acho que é porque, apesar de tudo, Lange conseguiu criar uma “vilã” (a primeira vista) carismática e por muitas vezes engraçada. Dentro da sua loucura, seu sarcasmo e dos seus valores tão cristãos, a irmã Jude nos diverte. Sua história pregressa à Briarcliff, vivendo uma vida nada casta como cantora de bares também nos ajuda a entendê-la. Por vezes vemos um pouquinho da Constance de AHS 1 na nova personagem.

kit

Bom, além de Jude, precisamos falar de Kit Walker (Evan Peters). O ator que deu vida a Tate Langdon / Rubber Man na primeira temporada, volta na pele de um bom moço. Kit trabalha em um posto de gasolina e é casado com Alma (Britne Olford) que é morta supostamente por ele, sob a identidade do serial killer Bloody Face – esse sim dá medo. O que acontece é que Walker não acredita ter matado a esposa e atribui seus atos a uma abdução alienígena – DAFUQ!!!!! Sim, é isso mesmo. E é aqui que a coisa começa a desandar um pouco. Mas vou falar disso com mais detalhes lá pra frente.-

Kit então é levado e injustamente trancafiado em Briarcliff, onde passa a viver os tratamentos impostos por Jude e sua equipe.

lana

E é no momento em que Kit chega à Briarcliff que encontramos Lana Winters (Sarah Paulson). A jornalista, movida pela ambição, fica animada com a ideia de ser a primeira a entrevistar o serial killer que matava mulheres e arrancava a pele delas. Lana, porém, não mede o perigo em que estava se metendo. Em uma manobra da irmã Jude, que envolve a chantagem da parceira afetiva da jornalista, a líder de Briarcliff consegue tirar Lana do jogo trancando-a nos quartos do hospício. É lá que, além de Kit, Lana conhece Grace (Lizzie Brocheré) – aprisionada no hospício por ter assassinado seus pais. Os 3 se aproximam e juntos tramam planos para deixar Briarcliff.

dr. arden

Não podemos deixar de falar do “cientista louco” nazista da história Dr. Arden (James Cromwell) que, ao lado de sua parceira possuída pelo demônio irmã Mary (Lily Rabe) – que garantia momentos assustadores e engraçados à trama – transformava pacientes em monstros, os mantinha no bosque e alimentava-os com outros pacientes mortos (TWD, oi?). Tem também o monsenhor do hospício mas…nha…de boa. Nem precisa falar dele.

zachary

Bom, o grande destaque dessa temporada foi o dr. Thredson, interpretado brilhantemente por Zachary Quinto (que pra mim SEMPRE vai ser o Sylar de “Heroes” mesmo porque vejo um pouco do comedor de cérebros no serial killer “Bloody Face”). Se na primeira temporada a participação dele ficou apagada e restrita aos últimos capítulos, em “Asylum” Ryan Murphy coloca o ator entre os principais personagens da série. Dr. Thredson inicialmente parece um psiquiatra bom, equilibrado e justo. TUDO MENTIRA. Na verdade, ele é ninguém mais ninguém menos do que “Bloody Face”, o serial killer que mata mulheres e arranca suas peles.

O drama, a personalidade dupla e os motivos que o levam a cometer seus crimes chocam.

O ponto alto desse personagem, na minha opinião, é quando ele ajuda Lana a fugir do hospício. Acontece que, ao chegar à casa dele, a jornalista percebe que entrou em uma enrascada daquelas. O abajur do médico é feito de pele e a tigelinha de onde ele educadamente retira algumas balinhas de menta aparenta ser um crânio humano. Lana começa a juntar os pontos. Elementos suficientes para dar arrepios.

Bom, eu poderia falar muito mais dos personagens mas aí seria mais fácil escrever um livro…hehe. Agora que vocês já tem mais ou menos ideia do que rolou na série, vamos aos finalmentes.

O ÚLTIMO EPISÓDIO

Até agora eu só elogiei a série, não é mesmo? Bem, vou continuar a elogiar mas se existe uma coisa que não deu certo nessa temporada foi a quantidade de tramas paralelas e aparentemente desconexas abordadas. Pra você se organizar, identifiquei pelo menos 3 tramas, linhas de história que corriam em “paralelo” mas dificilmente se cruzavam. E quando se cruzavam, deixavam mais dúvidas do que respostas. Temos então:

*APARIÇÕES ALIENÍGENAS

*A HISTÓRIA DE BLOODY FACE

*IRMÃ JUDE E BRIARCLIFF

Vamos então por partes:

kit velho

APARIÇÕES ALIENÍGENAS: Ok, a época em que se ambienta a série (1960) permite que se aborde esse assunto. Mas mano, caralho, é uma série de TERROR. De TERROR. Não tinha que ter enfiado um bando de ets na jogada. Aí o que aconteceu? Ficou mal explicado.

Durante toda a série, Kit é perseguido pelas lembranças de uma abdução alienígena. Aparentemente os homenzinhos do espaço tem algum interesse no garoto da terra – que nunca foi explicado. Outra coisa: Kit engravida Grace, que morre (na verdade ela é abduzida) , mas depois volta retardada, falando que eles estão destinados a mudar o mundo e bla bla bla. E Alma, a esposa que Kit pensou ter matado, na verdade está viva e também teve um filho. Duas crianças ets, duas esposas ets.

No último episódio da série, Alma mata Grace e, por isso é internada em Briarcliff. Lá, Alma morre (agora é sério). Kit fica sozinho e passa a cuidar da irmã Jude – que nos últimos episódios é internada e fica louca – . Os dois vivem bem até o dia em Jude morre.

As crianças ets de Kit crescem, ele envelhece e quando está à beira da morte…..

DÃÃÃÃÃÃÃ

… é abduzido por alienígenas e levado pra sempre.

Grande final hein? Final legal hein? SQN.

Essa trama estava perdida desde o começo. Ela só serviu mesmo para colocar Kit em Briarcliff e dar início à história. Depois disso, nunca mais fez sentido nenhum. Virou tipo uma ficção mal feita, mal escrita e explicada.

*A HISTÓRIA DE BLOODY FACE: No início da série, eu tinha um pouco de dificuldade para entender as pontes entre passado e futuro. Logo no primeiro episódio temos Adam Levine, nos dias atuais, invadindo Briarcliff com sua esposa e sendo já sendo vitimado por Bloody Face. Aí, corta para 1956 e temos Kit sendo preso por ser o Bloody Face. Como assim? Bom, volto nessa questão daqui a pouco.

A história do Bloody Face, acredito eu, foi explorada na medida certa. Entendemos a carência de uma mãe de Thredson, o início de sua patologia ainda na universidade e o porquê de arrancar as peles de suas vítimas depois de estuprá-las. Ok.

A morte dele com uma bala na cabeça disparada por Lana me trouxe um misto de emoções. Fiquei feliz porque finalmente ele estava pagando pelos seus crimes e – principalmente – pelo que fez com a jornalista e com uma sensação de “ta…e agora?”, já que o principal vilão de AHS tinha morrido. Morrido de um jeito pouco espetacular, que não fazia muito jus ao medo e aflição que Bloody Face proporcionou em toda a trama. Mas a questão é que o Bloody Face pai pode até ter morrido…mas o filho não.

Isso nos leva ao nosso primeiro parágrafo. Quem assistiu “Asylum” sabe que Lana foi estuprada e engravidou de Thredson. No último episódio, Lana, agora uma famosíssima escritora e entrevistadora, revela a uma repórter que o filho dela está vivo. Esse filho, que nos é apresentado alguns episódios antes, herda os mesmos “hábitos” do pai e nutre um desejo de vingança pela mãe.

Aí é que você vai parar e pensar que aquele Bloody Face que se divertiu com Adam Levine é, na verdade a cria do original. E filho de Lana.

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No último episódio, após a equipe de reportagem deixar a casa de Lana, o filho dela se revela e aponta uma arma para a cabeça da mãe. Usando da mesma frieza psicológica que fez com que sobrevivesse ao pai, Lana consegue desarmar o filho chamando-o de “meu bebê”.

Aí ela pega a arma, aponta pra cabeça do rapaz e…BAM…mata. Do mesmo jeito que fez com o Bloody Face original.

Essa cena poderia ter um significado muito maior se você entendesse o filho de Thredson. Ele fica meio jogado na trama. Não existe muito espaço para mostrar pelo que passou, quais foram seus motivos para resolver seguir os passos do pai e se vingar da mãe. Existe um flashback da infância dele e uma fala em que diz onde conseguiu a gravação onde o pai confessava os crimes. Fica tipo: “Ta, ele é o filho do Thredson. E daí?” A história dele não diz a que veio.

Outra coisa com relação a esse núcleo é a mudança da própria Lana. Quando trancada, a jornalista queria sair de Briarcliff e contar ao mundo o que viveu lá. Queria fechar o lugar. Depois de conseguir fugir do cativeiro de Thredson e ser novamente trancafiada no hospício sua vontade se torna ainda maior e soma-se a isso ainda uma gravação em que Bloody Face confessa seus crimes. Bem, Lana consegue sair de Briarcliff – com uma ajuda da ex-irmã e atual louca Jude –  em uma das cenas mais épicas e engraçadas da temporada:

O que acontece depois disso, porém, não tem nada a ver com os planos da jornalista. Ela escreve um livro contando os horrores que passou com Bloody Face. A obra se torna um sucesso e dá a Lana o reconhecimento e fama que tanto queria. A jornalista se torna uma grande entrevistadora e ganha espaço em jornais e na tv.

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O problema é que ela se torna uma fucking bitch arrogante e metida e se esquece do seu objetivo principal, que era fechar Briarcliff e resgatar Jude – a quem prometeu voltar e ajudar. Lana ganha status de estrela e mesmo quando Kit tenta convencê-la a cumprir sua missão, ela hesita. Winters só volta a Briarcliff acompanhada de uma grande equipe de reportagem – fruto de sua ambição.

Lana termina a série sozinha, rica e bem sucedida.

O interesante é que, apesar da mudança em seus objetivos, Lana se manteve fiel ao que sempre demonstrou. Não era uma mocinha essencialmente boa. Era humana, sujeita a se deixar seduzir pelas glórias da fama e fortuna. Esse foi, verdadeiramente, o grande trunfo da personagem.

IRMÃ JUDE E BRIARCLIFF:

sister jude

O fim da irmã Jude não poderia ter sido melhor. Depois de castigar por anos os internos do hospício, ser trancafiada, ter o cérebro reduzido a mingau por causa das medicações e tratamentos de choque de Briarcliff, finalmente a personagem de Jessica Lange tem o final que merece. Em seu leito de morte já na casa de Kit, Jude se rende ao beijo do anjo da morte, de quem fugiu por anos – e durante a temporada inteira.

Mas, algumas coisas em Briarcliff ainda não ficaram explicadas, mesmo com o fim da série. Por exemplo: O que aconteceu com os monstros que dr. Arden – que poderiam ter rendido uma história muito mais interessante e assustadora do que a dos alienígenas –  mantinha no bosque?

E Pepper, que se revelou um tipo de “mensageira” dos alienígenas? O que rolou com ela?

São algumas perguntas que ficaram e vão ficar sem respostas. No saldo final, AHS Asylum agradou. E vamos confessar: Quem assiste a alguma série adora ter alguma coisa pra reclamar no fim, não é? Acho que faz parte do show.

E que venha a terceira temporada em 2014. Para quais caminhos sombrios Ryan Murphy vai nos levar dessa vez?

ALGUNS LINKS PARA QUEM QUISER ASSISTIR ONLINE:

http://www.terror-brasil.com.br/2012/10/american-horror-story-asylum-online-2.html

http://www.cinefilmesonline.net/2012/11/american-horror-story-asylum-2-temporada-legendado.html

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