.afinal, o que quer luiz fernando carvalho?

A cena mixa imagens do trajeto de um trem antigo com os novos trens metropolitanos. Por alguns minutos, somos passageiros em uma viagem que transcende o tempo.

Na sequência, somos apresentados ao narrador da história.

O ano é 2008. A série é “Capitu”. O diretor, Luiz Fernando Carvalho.

A mente caleidoscópica do diretor nos transporta para dentro de um mundo que cabe em um teatro. Os cenários não são físicos, mas de um realismo fantástico que prende e fascina. No final das contas, Bentinho vive e vê acontecer sua própria ópera da vida.

Os personagens ganham o caricaturismo  das linhas de Machado.  Dona Glória, Tio Cosme e José Dias – principalmente José Dias – vestem-se de trejeitos teatrais e de uma interpretação circense.  Bentinho é o grande mestre de cerimônias. Ao mesmo tempo em que revive seu passado através da escrita,  assiste de camarote o desenrolar de sua história com Capitu.

Bom, todo esse texto é pra dizer só uma coisa: Luiz Fernando Carvalho é bom.

Mais do que bom. Ele é MUITO bom.

Talvez seja um dos poucos diretores que pensem “fora da caixa”, que consiga ir além do mero “arroz feijão” do dia a dia. Talvez seja por isso que tenha sido criticado à época de Capitu por alguns espertalhões especializados em tv. E também talvez tenha sido por isso que grande parte do grande público não tenha entendido as intenções de sua obra.

Até me arrisco a dizer que Luiz Fernando – guardadas as devidas proporções – é o nosso “Tim Burton” brasileiro. 

No ar com “Afinal, o que querem as mulheres”? , o diretor investe pela primeira vez no gênero da comédia. Uma comédia – como não poderia deixar de ser – a lá Luiz Fernando Carvalho. Michel Melamed novamente faz parceria com o diretor e agora aparece como André Newmann, um jovem que está escrevendo sua tese de doutorado em psicologia que tenta responder à pergunta freudiana título da série. Acontece que sua tese faz muito sucesso e vira um programa de tv. Enquanto isso, a vida amorosa de André desce ladeira abaixo…

A estética, fotografia , figurino e trilha sonora escolhidos nos transportam para uma hiper-realidade, um universo atemporal.  E quando você pensa que já viu de tudo, surge a surpresa:

 

 Um velório em forma de musical. Pois é, Luiz Fernando Carvalho conseguiu mais uma vez.

Como telespectador posso dizer apenas que admiro muito os trabalhos do cara. O pai de “Hoje é dia de Maria”, “A Pedra do Reino” e “Capitu” conquistou a minha atenção. A análise técnica deixo para os técnicos e especialistas. Só sei que curto pra caramba.  E se você acha que tudo isso é bobagem, é hora de parar e pensar: Afinal, o que você quer assistir?

Leia também:

http://noticias.r7.com/blogs/daniel-castro/2010/12/05/serie-traduz-olhar-critico-e-poetico-sobre-o-real-diz-diretor/

http://noticias.r7.com/blogs/daniel-castro/2010/12/05/artigo-para-ler-a-serie-afinal-o-que-querem-as-mulheres/

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Um comentário sobre “.afinal, o que quer luiz fernando carvalho?

  1. Parabéns de novo Raphael!
    Dessa vez eu não vi a mini série mas ao entrar aqui fiquei curiosa e estou vendo tudo a respeito já a algumas horas.
    Meu Deus que obra de arte de novo desse Luiz Fernando Carvalho!
    Obrigada pela oportunidade de não perder essa segunda chance.
    Sucesso pra você!
    Beijo…Glória.

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