.eu fico puto.

Fico puto mesmo. Irritado.

Imagine a cena: Lá está você dormindo pela manhã, quando de repente, alguém chega bem perto da sua orelha e começa a gritar. Crianças começam a chorar sem parar, carros de polícia passam a tocar insistentemente suas sirenes , helicópteros levantam vôo e todos os outros barulhos do conturbado cotidiano começam a invadir sua casa sem que você possa sequer se defender. Aí, num esforço digno de Hércules você…desliga a TV.

A minha relação com a TV pela manhã é essa: Acordo, lavo o rosto e ligo a tv para ver as primeiras notícias do dia. Até aí, não é muito diferente do que você, seu pai, sua mãe e seu irmão fazem, não é mesmo? Mas qual não é a minha surpresa ao ver tragédia seguida de tragédia e nenhuma notícia boa pela manhã? Não bastasse isso, ainda tem um infeliz de um apresentador, ou dois, ou três, sei lá, que fica berrando: “OLHA O ACIDENTE NA MARGINAL!!!” “OLHA A CABEÇA LONGE DO CORPO!!!” “QUE ABSURDO!!!”. Não sei quanto a vocês mas eu não gostaria de receber uma pessoa dessas na minha casa logo pela manhã. E não é isso que um jornalista é? Ao ligar a tv em determinado canal, você o convida para entrar na sua casa e fazer parte do seu dia dia. Ninguém gosta de um convidado mal educado, chato e brigão.

Vocês já repararam que a maioria (não todos, felizmente) dos telejornais da manhã segue uma linha editorial bem trágica? Eles chamam de “Serviço”, eu chamo de “Sensacionalismo”. É impessionante a quantidade de notícias ruins por “minuto quadrado” que são dadas. É filho que mata o pai, é pai que mata filho, é enchente, é isso é aquilo…Enfim…É. Parece que esses telejornais querem te fazer pensar que o mundo está acabando a cada manhã que nasce. E por que de tudo isso? A resposta é simples: Audiência. É a audiência que faz com que os noticiários busquem um viés cada vez mais violento e cada vez menos humano. Aí não adianta reclamar. Que venham as críticas de que “jornalista só dá notícia ruim”.

O jornalista Renato Machado, apresentador e editor-chefe do Bom Dia Brasil, disse em entrevista uma vez, uma frase que reflete  a linha editorial do matutino global e também o que deveria ser um comportamento em comum entre os telejornais da manhã: “Não podemos acordar as pessoas gritando. Nossas reportagens tem música clássica ao fundo, iconografias, uma linguagem mais conversada.”

“Fox and Friends” abusa da  informalidade nas manhãs norte-americanas

Concordo com o Renato. Sou adepto da teoria de que o jornalista deve sim, ser verdadeiro, dar as notícias como são mas não chegar à casa do telespectador esguichando sangue para todos os lados na sala e no café com pão de quem está assistindo. É possível sim, como provado pelo próprio Bom Dia Brasil , aliar credibilidade, factualismo (essa palavra existe?) e classe sem descambar para a vulgaridade do sensacionalismo barato. De notícias ruins já bastam as que vamos encontrar no nosso dia dia, os nossos problemas.

O que devemos lembrar, caros internautas, é que a TV faz parte da cultura do brasileiro. O telejornal que acorda o telespectador deve dizer: “Olha, o dia está começando assim, mas vai melhorar. Bom dia!” . Os jornalistas devem ser gratos convidados na mesa do café da manhã e não propensos a ter vassouras escondidas atrás da porta para irem embora rapidamente.

Abaixo, as escaladas dos telejornais “Bom Dia Brasil”  e “Fala Brasil”. Assistam e se perguntem: De que modo eu quero começar o meu dia?

 

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