.pela janela vejo pessoas.

semaforo-verde

“Nunca deixar de ouvir com outros olhos” – Fernando Anitelli

Uma janela pode nos revelar muitas coisas.

Uma cena de afeto entre mãe e filho, uma briga de namorados, a frieza de um assassinato, o calor de um abraço entre aqueles que há muito não se viam, a beleza da moça que anda despreocupada, carros, motos e muitas vezes despercebida, a luta de muitas pessoas para apenas sobreviver a mais um dia no mundo frio de uma sociedade desigual.

O que divide? Quero dizer…O que diferencia aqueles que merecem ser dignamente tratados dos que não? Classe social? Dinheiro? Sexo?

Hoje aconteceu algo no mínimo interessante.

Voltando para casa depois da faculdade, não consegui prestar muita atenção no que ocorria na rua . Meus olhos observavam apenas o vai e vem dos carros, as curvas e árvores do mesmo trajeto costumeiro de todos os dias. Apesar de estar desatento, de repente, algo falado do lado de dentro me fez despertar para o que acontecia do lado de fora do veículo. Vou tentar descrever a cena: Um menino, na faixa de seus 10 anos de idade, pés descalços, uma pipa laranja parecida com um pássaro na mão. Ele passa uma, duas, três vezes no máximo.

A distância que nos separa é a de um vidro. Mas sei que é maior. E talvez intransponível.

Voltei para dentro do veículo. O assunto era carros. Alguns falavam que queriam trocar os seus, outros que determinado carro não era bom o suficiente. Por um momento, me lembrei de que precisava fazer a minha matrícula na autoescola. Depois, voltei novamente para fora. Três. Era a terceira vez que passava antes do sinal abrir.

Em um momento rápido de questionamento me perguntei quem seria aquele menino, se teria família, se frequentava a escola, e até mesmo se teria carro algum dia.

Se fosse em um outro dia qualquer, talvez eu nem notasse sua presença. O considerasse apenas mais um personagem banal no enredo de mais um dia banal. Provavelmente o olharia e passaria, sabendo que muitos iguais a ele existem, mas me conformando, achando que não poderia mudar esse quadro.

Hoje, porém, não.

Hoje foi dia de olhar para além  do vidro, pensar, refletir e perceber que as distâncias são maiores do que nossos olhos podem alcançar.

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